sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Esse é o mundo corporativo

Hoje recebi uma mensagem intitulada "Mundo Corporativo", que dissia o seguinte:
"Todos os dias, a formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. Era produtiva e feliz.
O gerente marimbondo, estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Logo a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligaç ões telefônicas.
O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata, e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata então contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.
Logo a formiga produtiva e feliz, começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis e reuniões que eram feitas.
O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprou uma cadeira especial. A nova gestora cigarra também precisou de um computador e de uma assistente (a sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e estava cada d ia mais chateada. A cigarra então convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer um estudo de clima.
Mas o marimbondo, ao rever as cifras, deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes, e assim contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía : 'Há muita gente nesta empresa'.
E adivinha quem o marimbondo mandou demitir? A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida. (Autor desconhecido).
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que estando dentro de uma instituição, nos encontramos inseridos nesta estória da formiguinha, uma vez que, absolutamente todo o sistema é lento e burocratizado colocando o saber na frente do SER. Assim jogamos no lixo uma existência criativa e construtiva em prol de um emaranhado de papéis inservíveis. Será que não podemos fugir da repetição???

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Instituição:mecanismo produtor de subjetividade?

Quem diz instituição, fala de sistema de poder insturado e durável, que modela de forma invisível nossa subjetividade. Estamos inseridos em uma rede já constituída (simbolíca e filosófica), que existe antes de nós e exerce seu poder sobre nossa psique e nossas condutas,como um elemento modelador da vida social e do pensamento. É o desconhecimento sobre essa forma de poder que nos permite viver em sociedade. Os homens obedecem, aderem a esse poder, desejam ser dominados para se sentirem seguros, pertencentes a uma coletividade que detêm a suposta"verdade".Não podemos deixar de levar em conta que nós enquanto sujeitos estamos implicados nesta construção, mobilizados individualmente no sentido de fazemos parte dessa massa, pois não existe poder sem consentimento. Somos responsáveis.

quarta-feira, 26 de março de 2008

A questão é o como?

Por que será que minha ansiedade permanece, mesmo após eu parar de trabalhar? (Menor, mas presente.) Estar ou não trabalhando gera ansiedade da mesma forma, por estar eu, escravo, vivendo para negar as grades do labor? E, assim estando, me mantenho preso a esse modo de vida?Precisaria primeiro do trabalho, para depois ser negado, se mantendo assim, preso ao trabalho?

Talvez precise mudar a perspectiva: vadiar, não para não fazer nada em contraposição vingativa ao fazer do trabalho. Mas um vadiar para além da visão valorosa da sociedade... Um vadiar que não seja necessariamente vadio/vazio e não meça nem se estou vadiando ou produzindo algo.


Será que existem pessoas em algum canto do planeta que produzem pensamentos próprios em vez de comentar os dos outros? Quanto tempo repetiremos queixas na esperança(no sentido nitiano, ou seja, parando de esperar) de que outros mudem o mundo? Quando construiremos algo original?

terça-feira, 25 de março de 2008

Não ao não fazer...

Discutir a forma como o trabalho está organizado em nossa sociedade, hoje, bem como as repercussões psíquicas provocadas pelo trabalho sem sentido. As condições e as exigências do mercado de trabalho na atualidade rotinizam e amortecem o sentido da vida, tais como no filme deixando no corpo as marcas do sofrimento, que se manifestam nas mais variadas doenças classificadas como ocupacionais, além de atentar contra a saúde mental.
O trabalho não pode ser uma negatividade da vida, mas, muito pelo contrário, sua expressão, coisa que o capitalismo, em suas mais variadas versões apresentadas no decorrer da história, não permitiu que ocorresse. Eis a Esfinge que cabe ao homem contemporâneo decifrar, para não ser definitivamente devorado por ela.

quarta-feira, 19 de março de 2008

um ente do-ente


Da relação de copertinência entre mundo e homem, Heidegger definiu o homem com a expressão ‘ser-no-mundo’¹e os demais entes como ‘entes intramundanos’. O homem é um ente que se distingue dos demais pelo fato de compreender e significar o mundo. Com o conceito de ser-no-mundo Heidegger pretendia caracterizar a simultaneidade de mundo e homem, mostrando que a existência do homem recebe seu sentido da sua relação com o mundo e que este obtém sua significação através do homem.
A expressão ‘ente intramundano’² designa os entes simplesmente dados dentro do mundo. Ao contrário do ser-no-mundo o ente intramundano é “destituído de mundo”, já que simplesmente está aí no mundo, não o significa e não retira dele o seu sentido. Por este motivo, o ente intramundano não pode tocar o mundo assim como faz o ser-no-mundo. Heidegger define o ente que o ser-no-mundo vai ao encontro na ocupação de instrumento, de ‘ser-para’, devido ao seu carácter de serventia e manualidade.
A instrumentalidade de um instrumento é dada na medida em que este participa de uma relação de conjunção com outros instrumentos. Isto significa que a instrumentalidade de uma caneta (instrumento para escrever) pode advir se ela estiver coligada com papel, tinta, mesa, luz, etc. Esta coligação ou referência de entes intramundanos fundamenta a instrumentalidade ou a conjuntura da manualidade.
Heidegger procura mostrar que as relações das coisas existentes é provisória e atrelada ao tempo em que elas ocorrem. O corresponder do ser do ente é a filosofia. Porém, ela é somente esta correspondência se exercendo propriamente, desenvolvendo-se e alargando o crescimento. Este corresponder, se dá de diversas maneiras, dependendo sempre do modo como se fala o apelo do ser ou o modo como é ouvido.É é nessa perspectiva heidegeriana que aponto o estudo da relação entre o sujeito e o trabalho como sendo a mola mestra para que possamos reavaliar nossos valores e construir um sentido para o trabalho que amenize o sofrimento e a angústia existencial do ser-no-mundo.
¹ Martin Heidegger (Ser e Tempo; vol. I ).
² Idem.

terça-feira, 18 de março de 2008

A mais-valia...

É o nome dado por Karl Marx à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que seria a base da exploração do sistema capitalista.
O operário só possui sua força de trabalho. Ele a oferece como mercadoria ao empresário (dono dos meios de produção), que a compra por uma determinada quantia em dinheiro (salário) para fazê-lo trabalhar durante um certo período de tempo; 8 horas por dia, por exemplo. A partir do momento em que a compra, a força de trabalho do operário passa a pertencer ao burguês, que dispõe dela como quiser. Esse conceito é muito importante se quisermos construir algum tipo de compreensão sobre a intersecção sujeito/trabalho...

Produção capitalista

Citação de Marx:"Animal é imediatamente um com a sua atividade vital. Não se distingue dela. É ela. O homem faz da sua atividade vital mesma um objeto do seu querer e da sua consciência. Tem atividade vital consciente. Nem é uma determinidade com a qual ele conflua imediatamente. A atividade vital consciente distingue o homem imediatamente da atividade vital animal. Só por isto a sua atividade é atividade livre. O trabalho alienado inverte a relação de maneira tal que precisamente porque é um ser consciente o homem faz da sua atividade vital, da sua essência, apenas um meio para a sua existência.”¹


Já que os homens, e apenas os homens, ao produzirem os seus meios de vida produzem também suas relações de produção, a sua existência social; essa atividade verdadeiramente humana, segundo Marx, o trabalho, é também produção da história.


A relação com o trabalho encontra-se bem definida como sendo, ora consciente, ora inconsciente, poderiamos aproveitar para questionar, pois,que o trabalho dentro da pespectiva de alienação(inconsciente), tornaria-se algo inexistente,desaparecido, já que não seria exercido e preenchido por sentidos faltosos? No caso do trabalho consciente, poderiamos entende-lô como atividade humana.

amalgamado ao trabalho alienado,o homem corre um serio risco de fazer deste a própria essência do ser, consequentemente tornaria-se uma forma de existir...e o trabalho tornou-se, na produção capitalista...


¹K. Marx, Manuscrits parisiens [1844], in K. Marx, Oeuvres - Economie II, p. 63; tradução brasileira
de Viktor von Ehrenreich, in K. Marx, F. Engels: História, Coleção Grandes Cientistas Sociais, vol. 36,
p. 146.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O hino do nosso trabalhador

Construção
Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Aqui temos uma parte da música/arte de Chico Buarque, que se põe como uma resposta ousada a ditadura militar vivida naquele contexto, mais para além deste fato ele também retrata um pouco da escravidão experienciada em nosso cotidiano nos dias atuais.Minha opinião é que está obra sublimada de emoção, deveria ser o hino do trabalhador brasileiro...

Uma lição - "TEMPOS MODERNOS"

Filme que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista, conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do indivíduo na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias “subversivas".

Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar, contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado alimenta todo conforto e diversão para burguesia.

Ótimo filme para começarmos a compreender e identificar como é simbolizada a relação homem/trabalho em nosso sistema social, em que lugar ela aparece e que quando surge retira o ser humano de cena, dando lugar às organizações e as produções tecnológicas.

Uma crítica datada dos anos 30 nos chama a atenção no sentido de mostrar o como esse mercado de trabalho foi construído e organizado num formato “demasiadamente desumano”, fico perplexa por notar que hoje a realidade dos trabalhadores é muito parecida, porém, maquiada por leis, regras, normas, que visam proteger o trabalhador ou será o trabalho? Qual será a realidade psíquica vivenciada por estes sujeitos?Concluo que o campo das organizações de trabalho criado por nós, necessita de vastas pesquisas que no mínimo consigam resgatar algo de humano para a cena.

Há muito por fazer...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Passando o tempo...

Passando o tempo...

“Aquele que ao longo de todo o dia é ativo como uma abelha, forte como um touro, trabalha que nem um cavalo, e que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão deveria consultar um veterinário.
É bem provável que seja um grande burro”.

(autor desconhecido)

No dia-a-dia do trabalhador...

Estão presentes vários sentimentos e dentre eles um foi eleito por mim como bastante preponderante: a inveja, sentimento avassalador que surge como um desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa. Não é necessariamente associada a um objeto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação à outra.

Gerando um sentimento tão grande de egocentrismo que renegue as virtudes alheias, somente acentuando os defeitos. Entretanto, a inveja não é uma característica intrínseca do gênero humano ela é fruto do egoísmo, em uma sociedade concorrencial.Essa concepção no âmbito organizacional surge como um mecanismo de defesa, utilizado pelo indivíduo como forma reativa diante de sua impotência em dar conta frente às possibilidades dos outros.Os sujeitos nas instituições disputam poder, riquezas e status, aqueles que possuem tais atributos sofrem uma reação dos que não possuem.

quarta-feira, 12 de março de 2008

metaforizando o trabalhador.

Quando a ave mitológica Fênix percebia que sua vida secular estava chegando ao fim, fazia um ninho com ervas aromáticas, que entrava em combustão ao ser exposto aos raios do Sol. Em seguida, atirava-se em meio às chamas para ser consumida até quase não deixar vestígios. Do pouco que sobrava de seus restos mortais, arrastava-se milagrosamente uma espécie de verme (ou ovo) que se desenvolvia de maneira rápida para se transformar numa nova ave, idêntica à que havia morrido. A crença nessa ave lendária figura na mitologia de vários e diferentes povos antigos, tais como gregos, egípcios e chineses.
O homem ao longo dos anos parece ter construido suas organizações como "ninhos aromátizados" o que no primero momento parece encantador, ao longo do tempo tornou-se sua própria fogueira, no centro desta questão o verme ou o ovo que surgem são em forma de "alienação", de maneira rápida se instuticionaliza o surgimento de uma consciência prazeirosa, de que ali morreu o homem e emergiu o trabalhador e assim seguimos felizes crentes que o trabalho "per si" nos faz viver, tornando-se uma condição humana...